quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Ponto. Linha_Ponto.



Aqui tinha muito barulho. Capitão Alkimim era arque inimigo de capitão Duke. Numa terra sem lei dividida pela disputa, a bala era quem falava mais alto. Mas tinha um lugar sagrado, quem corresse pra lá estava protegido. A igreja? Não o telégrafo. O ponto linha ponto do código Morse era o melhor barulho a ser ouvido. O que metia medo mesmo era o bang bang da disputa dos capitães. Durante a pré-produção em Carinhanha na Bahia foi preciso recorrer ao passado e sentir aquele clima dos filmes de cangaço. Seu Poliondas e Seu Totó foram os responsáveis por esse mergulho. Longa estrada de vivência! A memória pode até falhar, mas seu Totó se lembra perfeitamente do código Morse do telegráfo e seu Poliondas do barulho e da richa entre Alkimim e Duke.

Entre o contar e recontar, o relembrar e o esquecer que fomos captando um pouco da alma da cidade, as imagens de uma memória que falha. Enquanto Seu Totó se preocupava com a veracidade dos causos que ouviu dos pais, e que não escondeu a tentativa de apurar melhor toda informação com seus colegas mais velhos, a gente queria era ouvir histórias. Num trabalho quase jornalístico documental e por que não também de ficção a última coisa que interessava era chegar na fonte mais credível.


Duke fechou o cerco. Capitão Alkimim não tinha para onde fugir. Sua mulher já havia preparado o veneno, iria tomá-lo caso o marido morresse. Foi quando a maçonaria e o governo interviram e levaram os dois para Bom Jesus da Lapa. Foi na época dos jagunços que Duke se juntou a Getúlio Vargas e retomou o domínio de Carinhanha.

Muito tempo se passou, mas a cidade ainda tem guardada a lembrança das balas na parede. Ás vezes sinto que as pessoas ainda se escondem em suas casas e que o vazio das ruas tem a sua própria significação. Demorou pra eu entender o que era esse tal barulho, mas sem jeito de perguntar fui descobrindo o sentido da palavra. Seu Poliondas viveu alguns barulhos, ou melhor dizendo alguns tiroteios entre os dois rivais. Mais do que no imaginário da cidade essa rivalidade se revela também na arquitetura. Inácio queria por que queria “costurar” a narrativa do filme da cidade com a casa da careta. “Já sei, descobri o que vamos fazer”, empolgou.

2 comentários:

  1. pâmilla,

    sabe que seus textos/fotos são também uma forma de memória? pensem em dar rumos pra todo esse material; afinal, não sabe até quando essa cariranha vai estar por lá...

    beijo,
    sâmia.

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